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não existe livre arbítrio

Resolvi escrever isto aqui porque de alguma forma precisava colocar esses pensamentos em palavras pra ter algum jeito de organiza-los. Recentemente descobri que livre arbítrio é uma ilusão, e a partir de então foi como se eu precisasse me desapegar de tudo que já fui e que um dia acreditei. Uma nova Iulia surgiu naquele momento e só escrevendo isto aqui consigo compreender o tipo de transformação que está acontecendo dentro do meu ser.

A história é a seguinte: segundo neurocientistas, o cérebro decide o que irá fazer poucos segundos antes de acharmos que estamos decidindo. Ou seja, o que acreditamos ser a nossa mente, na verdade é o nosso cérebro, que através do determinismo biológico define quem nós somos.

Então tudo aquilo que até então reconhecemos como nosso não existe. Todos os nossos conceitos, tudo aquilo que acreditamos que somos, na realidade é só um turbilhão de informações que foram colocadas na nossa frente desde o momento em que nascemos, além de nosso código genético, claro!

Logo, o eu, ou o ego, nada mais é do que uma ilusão do nosso cérebro, para que acreditemos na ideia de que existe um ser separado, uma identidade.
Calma! Isso não quer dizer que você, ser humano, não exista. O que essa teoria prova é que somos animais que estamos na Terra cumprindo nosso papel no planeta como o resto dos seres que aqui residem, e isso por si só é muito magnífico!

Mas então somos máquinas orgânicas sem nenhum poder de decisão? É nesse momento que recorremos aos ensinamentos de um sábio que viveu há 2.500 anos atrás: Xaquiamuni Buddha, o Buddha histórico. Pois o desenvolvimento da atenção plena é um dos pilares do budismo, e é adquirindo essa habilidade que conseguimos obter uma mente presente, focada no aqui e no agora.

E aí que se encontra a grande mágica, pois o caminho para essas conquistas é a prática meditativa. Pois ela nada mais é do que um exercício de observação do estado presente, nos permitindo a longo prazo ter a capacidade de enxergar a realidade tal como ela é, livre de limitações.

É nessa hora que retomamos o nosso poder de “escolha”. É aqui, no momento presente que compreendemos que é necessário transformar os nossos cérebros, ou mentes, como preferir. E é com esse treinamento cerebral que se desenvolve o ser humano livre.

Aí que está a beleza, é através da quebra de barreiras internas que conseguimos encontrar a potencialidade pura do ser, esse é o encontro com a nossa essência, com aquilo que há de mais puro no universo. O que permite um salto evolutivo naqueles que despertam, como espécie, como ser humano.

Afinal nada mais somos do que o próprio sagrado, a própria vida manifestada, a essência da existência. É nesse lugar que encontramos a iluminação, pois a natureza iluminada está em tudo e todos, o que difere nós, seres humanos, é o nosso despertar para ela ou não. Mas é importante frisar que chegamos aqui sem o ego, então nos denominar seres iluminados seria a maior armadilha que poderíamos cair. Afinal esse foi o último demônio mental de Buddha em seu caminho para a libertação.

Então buscar a iluminação é o caminho para a liberdade, buscar a Verdade sobre a existência. E se tudo que existe é a natureza Buda, se somos o todo manifesto em cada ser, então ao nos apegarmos a realidade relativa de que somos seres individuais, nos afastamos do caminho.

Por isso é necessário fazer bem a todos os seres, pois só assim faço genuinamente o bem a mim mesmo. A sabedoria que adquirimos com os ensinamentos de nada serve se estagnada em um único ser, cabe aos despertos auxiliar outros seres para que estes encontrem a iluminação, pois só estaremos completamente livre quando todos os seres forem livres.

Esse é o maior ensinamento de Buda, desapegar-se daquilo que o ego deseja, da realidade relativa criada pela mente na tentativa de nos separar da realidade absoluta. De que somos universo, que somos toda a vida manifestada. Sabe o quão grande é isso? O quão magnífico?

Tudo isso que escrevo aqui só me trás mais cede de busca, mais cede de conhecimento. Aquilo que não é estimulado cessa, já diria Monja Coen, então que esse possa ser o primeiro texto, de muitos escritos dessa busca pelo saber, pelo entendimento da mente humana, tal como ela é, sem limitações, sem barreiras e sem livre arbítrio.


Mãos em prece.
Iulia Terra

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